18/07/2017

Felipe Cagno e As Crônicas de Os Poucos & Amaldiçoados, seu novo projeto no Catarse





Talvez esse não seja um post convencional divulgando um projeto no Catarse, mas também não deixa de ser. Creio que contar a história dos bastidores da criação do post que você está lendo seja muito mais interessante do que simplesmente te dizer: Vai lá colaborar com novo projeto do Felipe Cagno! (Mas vá, o link tá AQUI e você não pode deixar de garantir mais uma excelente HQ pra sua coleção). Contudo, como disse, os bastidores desse post merecem ser contados.

Algumas semanas atrás, Felipe Cagno fez um post no seu perfil do Facebook procurando sugestões de blogs e sites nerds com o qual pudesse estabelecer contato pra divulgar seus projetos. Você percebe a importância de um gesto desses em um negócio como a publicação de histórias em quadrinhos? Todo mundo dos quadrinhos brasileiros conhece o Cagno como o mestre dos financiamentos coletivos, todos se questionam sobre como repetir a mágica. Humildade, meu amigo, comecemos por aí.



Ao dizer implicitamente (ou nem tanto) "Galera, me ajuda aí!" nosso amigo Felipe conseguiu levantar uma bela lista de 96 blogs/sites sobre o tema, dentre eles a Quadrinhosfera. São 96 espaços focados em um nicho específico, dispostos a ajudar quem se permite ser ajudado. Essa fica de lição pras editoras que dizem ser caro, difícil, burocrático, fazer um bom trabalho de marketing: Peguem a lista do Cagno e façam contato com quem está aí pra ajudar vocês!

Façamos aqui um pequeno salto temporal para a quinta-feira passada, quando o Felipe, gentil e elegantemente (veja a importância dessas qualidades) enviou-me o press release das Crônicas de Os Poucos & Amaldiçoados, uma antologia que expande o universo de The Few and Cursed e é o Catarse da vez. Novamente, aqui está o LINK pra você conferir os detalhes do projeto e colaborar. Mas não apenas isso, o camarada enviou as duas primeiras edições (em PDF) de The Few and Cursed por que, né, vai que eu quisesse fazer umas resenhas. Percebe como estabelecer contato com a mídia é apenas uma questão de iniciativa?



É claro que eu quero falar sobre The Few and Cursed por que, acima de tudo, o trabalho do Cagno e sua equipe é formidável!!! 

Li as duas primeiras edições num fôlego só. Fã de faroeste que sou, logo encontrei similaridades com o argumento de uma história de Tex e já fiquei todo empolgado achando que fosse referência, mas antes de sair falando bobagens entrei em contato com o Felipe que, mais uma vez com toda a gentileza do mundo, me disse que tudo não passou de uma bela coincidência. Isso me faz pensar que realmente coisas boas tem suas semelhanças.

Vamos aprofundar um pouco os detalhes.


A história que inicia a jornada da Ruiva, uma protagonista feminina como deve ser, senhora de sí e nada vulgarizada, transbordando Girl Power em um universo de faroeste pós apocalíptico, cheio de maldições e com pouca, quase nenhuma, água, nos apresenta a primeira maldição a ser caçada, uma serpente gigante que assombra um povoado. Eis aí a semelhança com uma história de Tex, tal história é "O Terror das Profundezas" (cuja mais recente republicação é a edição #25 de Tex Edição de Ouro). Contudo a semelhança se restringe a este curto plot, pois o desenvolvimento da narrativa e o universo da HQ de Cagno & Cia. é genuíno, original e extremamente cativante. Cara, é faroeste, com maldições e uma protagonista feminina pra lá de invocada. Certeza de diversão, ainda mais com a arte espetacular do Fabiano Neves.




Bem, na segunda edição seguimos acompanhando a Ruiva em sua jornada de caça às maldições e agora ela vai ao encontro de um bando de corvos gigantes raptores de crianças (cadê aquela carinha de espanto?!) 😮 (Achei!!!)




Meu amigo, é por isso que eu digo, não tem mágica no sucesso dos projetos do nosso querido Felipe Cagno, tem é trabalho de qualidade e empenho. O cara faz o que nenhuma outra editora de quadrinhos está conseguindo fazer por aqui: juntar grandes times produtivos, criar material com qualidade de nível mundial, marketing organizado e cumprindo o que promete em seus trabalhos. 

O bom disso tudo? Ele vai seguir colhendo bons resultados, os leitores também e quem quer levar a sério essa epopeia de fazer quadrinhos no Brasil tem um belo exemplo a ser seguido.

Pra quem quiser saber mais sobre o processo de trabalho do Felipe, ele foi entrevistado recentemente pela Ana Cláudia Soares aqui na Quadrinhosfera, na coluna "Editando", aqui está o LINK.

Escrito por:

02/07/2017

Editando com Felipe Cagno


O 2º entrevistado da série Editando é o arrojado, editor e roteirista, Felipe Cagno:


Felipe Cagno


1 - Em qual editora está trabalhando agora e qual é o seu projeto mais recente concluído?
Atualmente estou trabalhando com a Novo Século e o selo Geektopia onde tenho dois lançamentos previstos, um deles o meu projeto mais recente concluído, Escolhas
Além disso também estou trabalhando na Timberwolf Entertainment, minha própria editora, onde estou produzindo dois projetos: o especial As Crônicas de The Few and Cursed (em financiamento coletivo no Catarse) e a terceira edição da série regular The Few and Cursed.
Para o final do ano quero muito ter tempo de produzir, editar e escrever o terceiro volume da série 321: Fast Comics.

The Few and Cursed


2 - Como é a interação com os artistas? 
Diária e de amizade. Em especial com os artistas que trabalho regularmente como o Fabiano Neves, Dinei Ribeiro & Marcio Menyz (The Few and Cursed), Gustavo Borges (Escolhas) e Marcelo Costa & Marcelo Maiolo (Classified, outra série em produção).
Além deles, sempre estou trabalhando com artistas para capas e pin-ups. Com todo mundo que eu lido procuro manter uma relação de amizade já que todos nós estamos trabalhando naquilo que a gente gosta. Desde que haja respeito entre as partes, a coisa flui tranquilamente.
Já trabalhei com mais de 200 artistas ao longo da carreira e acho que só tive contratempos feios com dois deles sendo que um me roubou quase mil dólares então a briga foi justificada rs rs rs
Fabiano Neves e Felipe Cagno

3 - Qual é a sua rotina de trabalho? 
Absolutamente intensa e com longas horas de trabalho. Além de editar e escrever todas as HQs que eu produzo, ainda acumulo as funções de mídias sociais, assessoria de imprensa, marketing, financeiro, logística, acaba caindo tudo nos nossos ombros.
Acordo todo dia às 8:30hs, já começo o dia lendo e respondendo alguns e-mails ou artes que chegam de artistas que gostam de virar a noite na prancheta (prática mais comum do que se pensa rs), às 10hs vou pro escritório e começo o dia sempre fazendo uma lista de tudo que preciso finalizar naquele dia (senão me perco mesmo).
Algumas tarefas regulares, além de trabalhar com os artistas revisando layouts, páginas, cores, balões, etc, incluem orçamentos, tanto de projeto quanto de gráfica, pagamentos, financiamento coletivo, revisão de contratos, mídias sociais, tento postar no Facebook pelo menos 2xs ao dia e no Instagram 3xs por semana (o que me disseram que é muito pouco), listas e mais listas de artistas que eu gostaria de trabalhar um dia, review de portfólios desses artistas, redação de press releases, contato direto com sites nerd/geek/hqs, cuidar da loja online incluindo a montagem dos pacotes e idas aos correios, e por aí vai.
Tudo isso para tocar a própria editora e as próprias HQs. Raramente consigo sair do escritório antes das 20hs e mesmo assim de uma forma ou outra trabalho todo dia até 23hs ou meia-noite. Se chega alguma mensagem ou e-mail de artista meu e estou acordado, eu respondo.
Escritório de Felipe Cagno


4 - Quais são as características mais importantes para um artista? 
Responsabilidade. Se o artista não consegue cumprir prazos, não trabalho mais com ele, simples assim. Já passei por alguns perrengues de atrasar entrada de livro em gráfica por arte que estava faltando e dificilmente voltaria a trabalhar com esse mesmo artista.
Claro que o talento vem em primeiro lugar, e sempre tento acomodar prazos como posso, mas é preciso ser profissional e saber cumprir prazos sem deixar a qualidade da arte cair.
Outra característica é colaboração, é saber ouvir críticas quando são construtivas e oferecer soluções quando algum problema aparece, inclusive de logística. Uma HQ até pode ser produzida por um artista só, mas se você está disposto a trabalhar em equipe não deixe o ego atrapalhar esse relacionamento.
História em Quadrinhos Escolhas


5 - Qual é o álbum com melhor qualidade editorial que você já teve em mãos? (editado por você e de outras editoras)
Pergunta difícil... é tipo pedir para eu escolher qual é meu filho favorito rs rs. 
O segundo volume da série 321: Fast Comics foi muito especial para mim porque através do financiamento coletivo eu pude botar em prática tudo que desejava para o livro, desde o dream team de artistas e colaboradores até uma arte exclusiva do italiano Matteo De Longis
E é por esse tipo de coisa que aposto tanto no financiamento coletivo, porque nos permite, como editor, realizar planos que seriam inviáveis de outra maneira. 
O fã de quadrinhos precisa continuar apostando no Catarse mesmo sabendo que o projeto pode ser produzido sem o seu apoio no final das contas. Mas o apoio desse fã é que será o diferencial entre a HQ vir com uma capa sem firulas ou com um pôster em gloss brilhante de um artista internacionalmente renomado. Torço sempre para que meu próximo álbum tenha a melhor qualidade editorial da minha carreira, mas eu dependo mesmo dos apoios nas minhas campanhas no Catarse.
De editores e editoras trabalhando no Brasil eu gosto muito do cuidado que o Sidney Gusman tem com o selo Graphic MSP. Ele não só traz os melhores artistas nacionais para as graphics como consegue trabalhar junto a eles extraindo o que há de melhor deles criativa e artisticamente. Tiro meu chapéu e me espelho muito no trabalho do Sidão. Os álbuns vêm sempre caprichados e para mim é a única linha editorial que faço questão de comprar tudo que sai sempre que possível o que me faz lembrar até que preciso ainda comprar o Chico Bento do Orlandelli rs.
Selo Graphics MSP


6 - Qual objeto não pode faltar na sua mesa?
Post-its! Faço minha lista de tarefas sempre em post-its, mania que peguei do meu pai rs, e com certeza o notebook que carrego para cima e para baixo já que estou sempre trabalhando de uma forma ou outra.

Post-its cotidianos


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Entrevista conduzida por: