23/04/2017

Os fumetti merecem sua atenção



Minha vida se entrelaça com o universo das histórias em quadrinhos. Leio, crio, falo sobre. Difícil me imaginar desvinculado dessa mídia. Interessante pensar que se eu nunca tivesse descoberto a velha coleção de quadrinhos do meu padrinho, isso nunca teria entrado na minha vida. Bendito o dia que encontrei os fumetti*.

Alguns exemplares da citada coleção do meu padrinho.

*Fumetti, é como são chamados os quadrinhos na Itália, e por aqui, o termo serve para designar os quadrinhos criados na velha bota.

Os quadrinhos italianos foram minhas primeiras leituras de arte sequencial, ainda quando criança, naquela fase que algumas coisas entram na nossa mente para tornar-se parte do que seremos para toda vida.  

Com o passar dos anos, saí do agradável isolamento do interior, do interior, do interior... depois de uma mudança que me levou a estar em uma cidade de interior (apenas 1 nível de interioricidade), onde comecei a encontrar outros leitores de quadrinhos (o que confirmou minha crença de que, realmente, eu não era o único). Estes novos amigos leitores, consumiam outros conteúdos, em sua maioria, quadrinhos norte-americanos ou mangás.


A título de curiosidade, sobre cidade interiorana, essa é a vista da janela da minha casa hoje:
Uma publicação compartilhada por Luan C. Z. Zuchi (@luan.zuchi) em


Ainda hoje quando falo que meus quadrinhos preferidos são fumetti passo por uma pequena sabatina: "Mas por que? Como assim? Me diz o que eles tem de bom? Mas são preto e branco? Por onde começo a ler?".

Agora me ocorre a ideia de transformar as respostas para estas perguntas em um post aqui no blog, assim poupo saliva, ganho visitantes e quem sabe mais alguém venha me fazer companhia nesse clube (não oficial) de leitores de fumetti.

Mas, recentemente, algumas coisas vêm acontecendo e animando. Mais pessoas chegam até mim dizendo: "Ouvi falar sobre os quadrinhos da Bonelli. Quero começar a ler. Pode me dizer por onde começar?".

No final deste post darei a dica de 2 bons pontos de partida.

Vamos, lá. Seguindo a explanação:
Acredito que isso se deva à soma de 2 fatores.

1 - Qualidade  
Enquanto os quadrinhos norte-americanos oscilam em qualidade, buscando mês a mês bater algum recorde de alguma coisa, para ganhar alguma atenção midiática e, por vezes, as histórias decepcionam seus leitores, os fumetti possuem um cuidado maior com a história a ser contada naquela edição. Creio que boa parte disso se deva à não existência de um universo compartilhado entre os personagens/títulos. Essa qualidade acaba levando ao boca a boca e, recentemente esse boca a boca está ganhando espaço na "mídia especializada". E aqui vamos para o ponto nº2.

2 - Divulgação
Já há muito tempo os fãs de fumetti levantam a bandeira e tentam convencer alguém a dar uma chance para alguns dos títulos em banca, mas poucos eram os veículos midiáticos a dar o espaço devido a estas publicações. Um dos poucos é o Universo HQ, onde o ilustre Sidney Gusman e sua turma sempre dão a atenção a estes títulos. Também eles (do Universo HQ) são responsáveis pelo podcast Confins do Universo, que recentemente publicou um episódio especial sobre os personagens da editora Bonelli, o que parece ter aberto os olhos de muitos leitores. Como sempre, uma coisa puxa a outra, e aos poucos mais blogs, sites, vlogs, etc e tal, falam sobre esses quadrinhos. 

E assim, cada dia que passa, vem mais alguém com a tal pergunta: "Ouvi falar sobre os quadrinhos da Bonelli. Quero começar a ler. Pode me dizer por onde começar?"

Então aqui vão 2 dicas. São 2 lançamentos com edições que trazem histórias completas em cada exemplar. Como a maioria dos fumetti funcionam bem sem ter a necessidade de acompanhar toda uma cronologia, qualquer uma dessas publicações pode ser um ponto de partida. Vamos a elas:

Dica 1

A Editora Lorentz lançará 3 edições de Dylan Dog, ambas inéditas no Brasil. Para saber mais sobre o lançamento, visite a fan page da editora aqui: facebook.com/editoralorentz



Dica 2

Salvat lançará coleção Tex Gold, seguindo padrão de publicação feita na coleção de graphic novels da Marvel. A 1ª edição sai por R$ 9,90 e é obrigação para qualquer um que esteja interessado em começar a ler fumetti. Abaixo a imagem da edição nº1 e aqui o link para mais informações: universohq.com/noticias/salvat-lanca-tex-gold-colecao-de-luxo-em-capa-dura/



Também vale lembrar que a editora Mythos faz um belíssimo trabalho com os personagens Bonelli nas bancas. Como eu disse, as histórias funcionam bem isoladamente (sem depender tanto da cronologia), então você pode começar a qualquer momento, pelo título que te parecer mais interessante.

Qualquer dúvida, deixe um comentário no post.

As dicas estão aí, boa leitura!!!


Escrito por:


13/04/2017

No estúdio de Rebeca Prado


Na segunda entrevista da série No estúdio, quem abre as portas e mostra seu espaço de trabalho e conta um pouco mais de si é a talentosa e querida, quadrinista e ilustradora, Rebeca Prado!

1 - Em quais projetos está trabalhando atualmente?

Bom, estou trabalhando em um projeto relativamente secreto, com outros dois quadrinistas. Mas vamos divulgar em breve! Tirando isso, estou tentando trabalhar mais nos meus estudos de ilustração, artes comissionadas e demandas editoriais. Em breve pretendo voltar a produzir quadrinhos mas, por enquanto, estou dando uma pausa.



2 - Quais são seus instrumentos de trabalho e técnicas mais utilizadas?

Eu uso, principalmente, aquarela. Então eu tenho algumas aquarelas variadas, mas a que eu mais uso é um estojo da Schmincke. Também tenho alguns pincéis, não muitos. Além da aquarela, eu uso bastante lápis de cor e pastel seco, para finalizar alguns trabalhos. Também uso muito guache, tenho alguns da Talens. Tirando isso, uso muito grafite mesmo.



3 - Quem são seus autores de referência?

Depende da época. Existe uma fluidez muito grande nas referências que eu uso. Ultimamente eu tenho acompanhado vários ilustradores no Instagram e tentado me prender menos a um único estilo. Tirando isso, eu tenho uma prateleira bem cheia de livros que uso pra consultar de vez em quando.




4 - Tem algum “ritual” antes de iniciar a desenhar? Qual a sua rotina de trabalho?

Hum, nunca reparei isso. Eu tenho um horário produtivo que começa, geralmente, por volta de 11 da manhã e se estende até umas 21h. Mas eu costumo acordar relativamente cedo, então faço algumas tarefas domésticas antes de começar a trabalhar. No processo de produzir mesmo, eu não tenho muitas questões. As vezes coloco música, as vezes não. As vezes sigo conversando com meus amigos pela internet, as vezes não. Depende do meu fluxo no dia. Acho que meu único “ritual” é arrumar minha mesa. Deixo tudo organizado, para facilitar o processo.



5 - Quais são os autores que devemos ficar de olho?

Muitos. E olha que eu tenho lido poucos quadrinhos. Mas vou recomendar dois internacionais e dois nacionais, pode ser? Pra ajudar a restringir. Internacionais: Noelle Stevenson e Sole Otero. Nacionais, eu vi que o Luciano (Salles) recomendou a Bianca e o Petreca, então vou recomendar outros, pra abrir o leque: Mika Takahashi e Bruno Seelig. Mas tem muita coisa legal rolando no mercado.


6 - Tem algum objeto preferido no seu estúdio?

Acho que não. Não tenho apego a muitas coisas. Mas minha aquarela é realmente importante, uma vez que produzo quase tudo com ela. Também gosto muito dos meus livros e dos meus vinis.