Luan Zuchi entrevistado pelo site Os Navegadores



Você que acompanha a Quadrinhosfera há algum tempo sabe que a maioria dos posts são escritos por mim (Luan Zuchi, o criador deste mundinho virtual). Se for um dos leitores mas assíduos sabe que também estou trabalhando na minha HQ (Corvis Custodes). Por estar nesse meio fui convidado para uma entrevista especial de #DiaNacionaldosQuadrinhos pelo pessoal do site Os Navegadores. Como dei minha opinião sobre o quadrinho nacional, achei interessante usar a entrevista, conduzida pelo grande Márcio de Oliveira, como post aqui na Quadrinhosfera.

Boa leitura e deixem suas opiniões nos comentários!
Conheça Luan Zuchi e a HQ Corvis Custodes
 – 30 DE JANEIRO DE 2014
POR DRAKULLPUBLICADO EM: CURIOSIDADESQUADRINHOS
Em 30 de janeiro, o Brasil comemora o Dia Nacional dos Quadrinhos, arte que está ganhando força no país com o surgimento de novas opções de leitura online. Muitos nomes já são destaques no cenário atual como Fábio Yabu e André Diniz, quadrinistas que usam a internet como veículo de publicação, e mostra que o cenário é otimista para quem está disposto a fazer boas histórias online.
Seguindo nesse caminho, resolvemos abrir espaço para um quadrinista que está começando a mostra o sue trabalho. Desde a criação do enredo aos desenhos mais precisos, ele começa a mostrar para o mundo o resultado de um trabalho difícil e prazeroso. Conheça Luan Zuchi e o trabalho dele, a HQ Corvis Custodes.


Luan Carlos Zanatta Zuchi
Foto: Tuany Areze/Divulgação)


Com quantos anos você começou a desenhar?
Não me lembro bem com que idade, mas eu devia ter entre 7 e 8 anos. A história de como comecei a desenhar é bem interessante. Muitos profissionais da área dizem que desenhar era algo natural, desde tenra idade (3 anos ou antes) já rabiscavam, comigo aconteceu um pouco mais tarde, lá pelos 7 anos. Um amigo da turma da escola já desenhava e muito bem. Aliás, toda turma tem um e eu achei interessante essa destreza. Desenhar é algo mágico, é dar vida a um fundo branco onde ninguém vê nada, isso pra mim é mágica. Então me dedique a APRENDER a desenhar. Passei muitas horas “copiando” desenhos de observação. É uma tarefa árdua no começo, mas quando se persiste é recompensador. A cada desenho você se sente um desenhista melhor, isso te leva a novos desenhos.
Após este começo, por admirar o trabalho do meu colega (vale aqui citar o nome dele, Willian Flores), o grande norte veio quando encontrei a coleção de quadrinhos do meu padrinho, que vendo meu interesse, me emprestou os exemplares (que ainda não devolvi). Assim, logo após meu primeiro ano começando a desenhar, encontrei os quadrinhos e desde lá, sei o que desejo fazer na minha vida.
Peço desculpas aos fãs de filmes e de outros gêneros, mas nada se compara à poesia da arte sequencial.
Quantos títulos você já criou ou rascunhou?
Muitas foram as iniciativas que deram com os ‘burros n’água’. Sou demasiado crítico com o que faço, o que não é ruim, mas tira toda a coragem de levar à frente um projeto. Quando se termina uma página você percebe que ainda não é o que você deseja. Outro grande problema é conseguir criar algo original. Ninguém precisa de um novo Superman, já está aí e é muito mais barato do que qualquer genérico que seja produzido.
Parece que estou fugindo da pergunta, mas é  o que disse. Eu comecei muitas coisas e me ajudaram a chegar ao meu trabalho de hoje (Corvis Custodes).
Antes de Corvis Custodes, minha primeira publicação aconteceu, vejam vocês, na Itália, com esse “fumetto”  (http://www.verticalismi.it/joost-schmidt/) publicado no (belíssimo) site verticalismi.it. Uma HQ alternativa e explorando as características do site, quadrinhos para serem lidos na vertical. Na verdade esse foi um trabalho que fiz no curso de design no ano passado. 



Capa da HQ publicada no Verticalismi.
Capa da HQ publicada no Verticalismi.



Seu projeto de HQ ‘Corvis Custodes’, conta um pouco do que se trata.
Corvis Custodes surgiu de uma necessidade minha de dar as caras. Você pode escrever, desenhar, arte-finalizar, fazer o ‘diabo a quatro’, mas se ninguém vê, você não fez.
Alguns já me perguntaram, se é alguma lenda ou coisa do gênero que estou adaptando aos quadrinhos, que fique claro que NÃO! No começo estava apenas querendo contar alguma história, qualquer uma, mas precisava de algo para ser contado. Pensei em um animal que pudesse representar algo além de si mesmo. O corvo me veio em mente, como algo relacionado à carniça, sujeira e tal, mas que possui certa elegância (minha mente louca acha que sim). O corvo, basicamente, limpa a sujeira, e ei pessoal, é o que um clássico herói faz!
Então uma rápida busca na internet me mostra que não faltavam referências a corvos nas HQs, então minha tarefa é impedir que Corvis Custodes seja apenas mais um clichê.
Como vocês verão nas páginas de Corvis Custodes #1 (veja abaixo)o personagem principal não usa máscara, não tem superpoderes, não é multibilionário (não é mesmo Bruce Wayne?!)  e as histórias entorno do personagem serão muito mais interessantes do que o próprio. No começo, tenho que apresentar o personagem, farei isso em princípio superficialmente, mas será um personagem com muitas “camadas” afinal, ninguém mata a sangue frio, arranca pedaços do corpo das vítimas e deixa uma pena de corvo como cartão de visitas sem ser, no mínimo, mentalmente transtornado. E esse é o herói da história, não se esqueçam.
Vai ser interessante ver como uma sociedade, entregue aos corvos (lê-se criminosos de todas as estirpes), vai reagir quando um deles estiver do outro lado.
Quanto à periodicidade, tentarei manter uma publicação bimestral de 20 páginas.



Página 3 de Corvis Custodes #0
Página 3 de Corvis Custodes #0



Você gosta de criar roteiros ou apenas desenhos?
Na verdade eu crio desenhos e os roteiros. São uma consequência. Explico: como trabalho 100% sozinho, não é algo tão importante (ao menos pra mim) ter um roteiro a seguir. No começo da história eu tenho uma intençãocom aquela edição, então crio mentalmente alguns personagens que possam mostrar minhas intençõesiniciais. Na edição #0 foi apresentar o clima, o estilo da história, e creio que consegui. Já recebi um retorno bastante interessante dos que leram a edição pedindo pela próxima. Em Corvis Custodes #1 ( do qual a página 16 de 20 – me aguarda neste momento, para ser finalizada), a intenção é explicar um pouco do personagem principal e deixar gatilhos de enredo até a edição #3 (sim, minha cabeça já está lá). Então é assim, o que dita as regras é a história em geral e como escreveria para mim mesmo, pulo esta etapa e vou para os desenhos que é o que mais pesa na hora de criar.
Como disse Will Eisner uma vez: O ideal seria se o roteirista e o desenhista fossem a mesma pessoa. Ele disse algo parecido com isso, não sei se com essas palavras.luan 4Quais as suas influências ou ídolos no universo dos quadrinhos?
Comecei lendo Tex. Nunca li Mônica ou Disney antes de conhecer o personagem dos fumetti (quadrinhos italianos). O meu primeiro grande ídolo foi Aurélio Galeppini (em arte, Galep). Depois,  Claudio Villa e Fabio Civitelli (este último tive oportunidade de conhece-lo pessoalmente e é tão “buona persona” como é bom com o lápis e o pincel). Os comics chegaram mais tarde na minha vida, já na adolescência. Sempre tive um pé atrás com super heróis, preconceito de quem preferia personagens mais humanas em traços a preto e branco. Dos comics posso citar alguns como McFarlane (sim eu gosto do estilo dele, agora me julguem), Romita Jr., Dave Gibbons (afinal Watchmen não foi desenhado por qualquer um), Greg Capullo, Jim Lee e o genial Alex Ross. Mas os meus preferidos ainda são os pratas da casa, Fabio Moon e Gabriel Bá, os Rafaéis: Albuquerque e Grampá, e atualmente Cris Peter com suas cores (estou começando a colorir, isso é novo pra mim), para citar alguns. Nos roteiros o gênio maior é Alan Moore. Para encerrar essa parte da entrevista gostaria de dizer que nenhum desses anteriores existiria em seus trabalhos se não fosse Will Eisner. Tudo o que leio dele me influencia.
Na tua opinião, como está o mercado nacional para quem pretende trabalhar com HQs?
Se você espera grana, sucesso de pop star, carrões e mulheres… Largue o lápis e corra atrás de uma bola de futebol. É um trabalho como qualquer outro (talvez com um número menor de pessoas que obtiveram êxito), mas consiste em trabalhar muito. Se você desenha de vez em quando ou escreve com a mesma frequência, você está no caminho errado. Os nomes dos quadrinhistas brasileiros que citei, todos eles, trabalham para os EUA.  Isso, infelizmente, não é quadrinho nacional, eles são quadrinhistas nacionais, mas muitos estão tentando fazer trabalhos, também, por aqui.
Atualmente vejo uma nova luz em torno dos quadrinhos nacionais. Apesar de ainda ser um fósforo na escuridão. Vou citar um exemplo, no FIQ (Festiva Internacional de Quadrinhos, de Belo Horizonte) as editoras (lê-se Panini) tiveram pouca repercussão, o pessoal que faz sua HQ, edita, publica e vende, rouba a cena em qualquer evento. Esse novo estilo de quadrinhos, que você não encontra em bancas, cresce e muito graças às redes sociais e o Catarse.me (o site de financiamentos coletivos).  O grande lance para criar um, verdadeiro, mercado de quadrinhos é unir talentos individuais em uma editora (mesmo que pequena) e levar esse alternativo  de eventos para as prateleiras de livrarias e bancas (nem vou entrar no assunto HQ digital, senão fico escrevendo até amanhã). Para que isso aconteça eventos de quadrinhos precisam se espalhar pelo Brasil e propiciar oportunidades de trocas de ideias. É o que estamos tentando fazer com a NERDCon Caxias do Sul.luan 5
Que dicas você daria para quem pretende começar uma HQ?
Apenas comece! Antes conheça o gênero, leia tudo que Will Eisner escreveu (assim você entenderá como funciona a linguagem dos quadrinhos). Mas o principal é: escreva se gosta de escrever, desenhe se gosta de desenhar (faça os dois se quiser) e tente encontrar seu caminho. O mercado nacional está crescendo, ao menos em número de pessoas publicando por aqui, é hora de tentar, vamos fazer além do Made in USA!
Gostaria de agradecer o convite do amigo Marcio de Oliveira, para esta honrosa entrevista nesse dia tão importante para o a 9ª arte no Brasil. Desculpe se roubei muito do seu tempo, amigo leitor.  E fica o aviso, em fevereiro:  Corvis Custodes #1 :D
Abraço a todos!
Para quem deseja conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Luan Zuchia ou adquirir a HQ Corvis Custodes, pode fazer contato com ele no emailBlog pessoal Fanpage do blog dele, também no blog Quadrinhosfera.


Então é isso aí pessoal, espero que tenham gostado e feliz #DiaNacionaldosQuadrinhos



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