Entrevista: Luciano Salles nos conta um pouco mais sobre EUDAIMONIA


Eu adoro entrevistar o Luciano Salles. Tenho que conferir, mas acredito que ele seja o autor que mais vezes entrevistei aqui pro blog. Isso se deve ao trabalho impar do cara e as ideias sempre instigantes que ele traz. Dessa vez conversamos um pouco sobre EUDAIMONIA, a nova HQ do autor que está buscando financiamento via Catarse. Aproveite a entrevista e depois vá lá conferir (e apoiar) o projeto 😉

1) Os nomes mencionados na descrição da campanha, o da revista (EUDAIMONIA) e do protagonista (Piwl-Pa-Col), são inusitados e, por já conhecer teu trabalho e a carga de significado que você coloca em cada detalhe, me fazem pensar que não são escolhas aleatórias. Pode nos contar alguma coisa sobre tais nomes?

Nada é aleatório, Luan. O nome da revista emergiu junto da ideia primordial da história. “Eudaimonia” é uma antiga palavra grega para designar o modo de se viver da melhor forma possível de acordo como a natureza o criou. Agora o nome do personagem vou ter que deixar para, quem sabe, uma futura entrevista.

2) Falando em personagens, temos o retorno de Luzcia nessa HQ. Ela será a única de seus personagens anteriores a retornar?

Tenho um carinho especial pela Luzcia. Tão especial que pretendo usar ela mais vezes. Eu gosto das inúmeras possibilidades que ela me oferece. Ela é uma senhora que sempre se virou sozinha, nunca precisou de nada e nem de ninguém para sobreviver além das inúmeras características que sei que ela exercer com maestria, com boas doses de docilidade e violência.

3) Complementando a questão anterior, você diz que  O Quarto Vivente, L’Amour 12 oz e Limiar: Dark Matter compõem uma trilogia. Nestes últimos tempos você vem trabalhando em Ela, uma HQ longa em preto e branco; seu primeiro quadrinho foi Luzcia, a dona do boteco, um zine também e P&B; agora em Eudaimonia você usa o preto e branco e traz Luzcia de volta. É muita conspiração minha, ou poderia estar surgindo uma “trilogia P&B” após a “trilogia CMYK”? Existe alguma relação entre esses trabalhos em P&B, além da própria técnica?

Camarada, é muita conspiração sua, rs. Não pretendo trabalhar em outra trilogia entretanto, pode ser que tudo mude. O quê pensamos hoje, amanhã se dissolve.
Entre esses trabalhos em PB não há relação alguma. Claro que existe o fato da personagem Luzcia fazer parte da história de “Eudaimonia”. Fora isso, nada mais.


4) Em algum lugar você já mencionou que uma xícara de café esfriando já te levou a reflexões sobre o amor e consequentemente esse foi o gatilho pra fazer uma de suas HQs. Em EUDAIMONIA, qual foi o gatilho, ou os gatilhos?

Eu não me lembro exatamente o motivo pelo qual estava pensando em um caçador. Sabe, como no exemplo da xícara de café, por vezes me pego pensando e refletindo sobre coisas aleatórias como um caçador. Por que alguém é um caçador? Caçar para sobreviver é caçar? Há quantos poucos anos vivemos sem caçar? E seu eu fosse um caçador e falhasse? Qual é o caçador mais efetivo da natureza?

E entre tantas divagações a imagem de um leopardo sempre vinha a minha mente. Sei que apesar de não ser tão grande, forte e pesado, é um dos mais eficiente felinos quanto a caça. E todos esse argumentos representam a “felicidade” de um leopardo, ou seja, a melhor forma de se viver fazendo aquilo que a natureza o criou para fazer. Um leopardo vive de acordo com a natureza dele. Esse conceito é basicamente um termo grego antigo para felicidade chamado eudaimonia.


5 – Eu te acompanho desde quando você iniciou essa jornada de fazer quadrinhos, nas suas redes sociais você pareceu um tanto receoso quanto a iniciar um financiamento coletivo. Como está sendo essa experiência?

Sim, fiquei bastante apreensivo se fazia ou não o financiamento coletivo. Poderia lançar de forma independente, fazer uma dívida na gráfica e ir pagando os boletos com a venda das revistas. Eu sempre fiz assim e pra mim, é algo fisicamente mais palpável.

Mas a definição pelo financiamento coletivo foi o de poder mensurar o alcance das minhas publicações nestes cinco anos que vivo somente pelos quadrinhos. Estudei muito a ferramenta da plataforma do Catarse. Vi nela uma “chave de roda” para entender onde me encontro. Pode até parecer, escrevendo essas palavras, que estou perdido, desiludido ou algo similar mas não estou.

Resumindo: precisava imprimir minha nova HQ para lançar na Comic Con Experience e também, conseguir de alguma forma, mensurar o índice de penetração que meu trabalho conseguiu nesse curto período que publico.




6 – Podemos esperar mais HQs suas sendo financiadas via Catrase? Ela, talvez?

Olha, Luan, ainda é cedo para afirmar isso com uma boa margem percentual. Tudo vai depender da campanha de EUDAIMONIA e de como eu estarei ao final do prazo para a captação de recurso. Então, se você que está lendo essa entrevista ainda não conhece meu projeto no catarse, esse é o link: https://www.catarse.me/eudaimonia


7 – Se você tivesse apenas essa resposta para convencer o amigo leitor a ajudar a financiar EUDAIMONIA, o que você diria? Luciano, obrigado pela entrevista e sucesso no projeto!


Conheça e apoie o quadrinho nacional. Não somente o meu. Nunca. Entre na plataforma do Catarse, na aba quadrinhos e veja a diversidade imensa de trabalhos! Há muito coisa sendo produzida. Muita coisa boa. Pesquise na internet sobre quadrinhos nacionais. Conheça autores(as) de renome, conhece autores(as) novatos(as), busque pelo gênero que mais gosta e encontrará algum autor que trabalha muito bem essa temática.
Dê quadrinhos de presente, incentive a leitura e se quiser, pode começar com a campanha de EUDAIMONIA, minha nova HQ.
Muito obrigado Luan!
Muito obrigado a você, leitor.



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