11/03/2017

Luan Zuchi entrevista: Luciano Salles (Falamos sobre ELA, a próxima HQ do autor)


1 - Olá, Luciano! Tudo bem por aí? Muito trabalho nas páginas de ELA, sua nova HQ, eu acredito. E afinal de contas: Quem é ELA?

Olá Luan, tudo bem sim. Bom, não vou dar assim de bandeja quem é ELA mas acho que posso dizer que ELA é tudo que permeará essa minha nova história em quadrinhos. Essa é uma boa resposta.


2 - Nos seus trabalhos anteriores, você construiu um universo futurista com uma cultura própria e um novo português. Li em algum post seu que O Quarto Vivente, Limiar e L’amour compunham uma trilogia. Sendo assim, ELA será o começo de uma nova trilogia?

Não. Tenho a certeza que não será o começo de uma nova trilogia. Afirmo isso até pelo fato de já saber o que vou fazer depois deste trabalho.

3 - Complementando o tópico anterior, podemos esperar a criação de uma cultura nova, como visto nos teus trabalhos precedentes, ou ELA terá referênciais espaciais, temporais e culturais mais próximos ao cotidiano atual?

ELA tem referências mais próximas do que vivenciamos. Mas não exatamente pois, simplesmente, não consigo fazer isso. Posso citar um simples exemplo. Enquanto escrevia o roteiro, dentro da história, a protagonista recebe um aviso. Poderia simplesmente fazer ela receber uma mensagem no celular. Mas é exatamente neste ponto que fico incomodado. Não gosto de usar nada do que usamos diariamente nas minhas histórias.
Veja, não estou dizendo será uma história futurista ou coisa assim. Digo apenas que desviar das nossas contemporaneidades é uma obsessão. Posso buscar algo do passado para que ela receba essa notícia.

4 - Em um dos seus posts, comentando sobre o novo trabalho, você liberou uma breve sinopse e dentro dela disse que ELA se trata da história de uma lutadora de artes marciais. Por que a opção por essa temática?

Porque adoro artes marciais. Na real adoro qualquer tipo de luta. Sempre acompanhei lutas de boxe, campeonatos de judo, karatê, luta greco-romana, ou seja, se tiver alguma luta para assistir eu assisto. Lembro que bem no começo dos anos 90 fiquei sabendo que havia lutas que valiam tudo, os “vale tudo”. Logo depois descobri que tinha um conhecido que, não sei como, conseguia gravações dessas lutas em fitas de videocassete. Era um prato cheio! Enfim, gosto de ver lutas.


5 - Fingindo que sou uma criança, seguirei com os “porquês”: Por que preto e branco? Como está sendo a experiência de trabalhar com o nankin e só?

Há algum tempo queria trabalhar somente em PB mas como estava na toada da trilogia, sabia que não poderia abandonar as cores até finalizar Limiar: Dark Matter. O desenho em preto e branco se mostra um desafio quando você sabe que não haverá cores. Precisava disso. Não via a hora de fazer isso!

6 - Você é um desenhista com o estilo caracterizado pelo cuidado e pelo detalhismo, quanto tempo, em média, você está levando para produzir uma página de ELA?

Eu não consigo ficar direto em cima de uma página de ELA pois tenho a Memento 832, que é minha produtora cultural, que preciso dar atenção. Sempre aparecem ilustrações para eu fazer para a Folha de S.Paulo, cursos, bate-papos, oficinas, produções, reuniões e então o trabalho vai aos goles. Mas se for contabilizar, estou fazendo uma página a cada 3 ou 4 dias. Acho que está bom.



7 - Você já teve a experiência de publicar completamente de forma independente e também por meio de uma editora (MINO). Como você avalia essa experiência, que, com o aumento do interesse das editoras pela produção nacional, cada vez mais se misturam na realidade dos autores nacionais?

Acho fantástico tudo o que aconteça em prol do quadrinho nacional. Temos uma cena, um mercado salpicado pelos estados do Brasil. Então, se for para contribuir legal, tudo é valido.
As editoras estão aí e há muita gente fazendo excelentes trabalhos independentes. Poxa, é um prato cheio para os editores mais antenados. Por mais que, por vezes, sempre existe a exposição ou a super exposição de um ou outro quadrinista, o que chamam de “hype”, termo que não acho legal. Acho estranho usar termos em inglês com sinônimos para nossa língua portuguesa. Imagino o tanto de sinônimos que Mario de Andrade ou Machado de Assis teria para isso.
Enfim, sou um quadrinista de Araraquara, bem do interior do estado de São Paulo e me encaro com os times de futebol do interior, aqueles da terceira, quarta divisão, sabe? Sou um quadrinista da terceira divisão. Então, o fato de já ter publicado por um editora é uma vitória legal. O fato de ter participado do livro Mônica(s) foi incrível. Acho que desviei um pouco da pergunta, mas é isso.



8 - Como sei que você é um workaholic extremamente dedicado e organizado, acredito que já tenha tudo planejado, então me arrisco a perguntar: Quando ELA estará pronta?

Para essa HQ eu não coloquei data de lançamento. Para todas as anteriores havia data de lançamento assim que começava a desenhar. Como farei tudo em PB, decidi que cada página vai merecer minha melhor atenção e dedicação. O leitor que adquirir um exemplar de ELA vai notar todo meu empenho em cada linha e por isso não determinei uma data de lançamento. Quero fazer valer cada centavo de um provável leitor. E não somente no tocante aos desenhos. Tomei um cuidado absurdo com o roteiro e tudo mais. Decidi até que não irei para nenhum evento de quadrinhos até essa revista estar impressa na minha mão. É claro que se for convidado para algum evento irei com certeza, mas preparar toda logística para ir a um evento por conta não vai acontecer. Mas garanto que se eu sumir um pouquinho será por um bom motivo.

8 - Bom, muito obrigado pela entrevista e bom trabalho por aí, Luciano! Se quiser acrescentar algo sobre o qual não lhe foi perguntado, sinta-se à vontade, o espaço é seu.

Eu que agradeço a gentileza de abrir um espaço no seu site. Só gostaria de enfatizar que tudo o que faço está no meu blog dimensaolimbo.com. É o melhor jeito de me achar.
Mais uma vez, muito obrigado, Luan.