04/10/2012

As Leituras do Pedro: Tintin em Portugal


Mais uma vez chega a você, caro leitor, via Quadrinhosfera, um belo artigo do crítico de HQ (BD em Portugal) Pedro Cleto. Desta vez em pauta o fim do Tintin Português. Uma leitura interessante, tanto aos amigos portugueses  quanto aos aficionados em quadrinhos em geral.

Boa leitura!

Tintin português: o fim há 30 anos*

 Há 30 anos chegava aos quiosques o último número do Tintin português que, ao longo de 15 anos, publicou cerca de 750 números com o melhor da banda desenhada franco-belga.
Essa longa aventura editorial começou a 1 de Junho de 1968 e destacou-se desde logo pela sua elevada qualidade gráfica, principal razão para o seu preço elevado – 5$00, o dobro do seu concorrente, mais popular, o Mundo de Aventuras.
Na chefia da redacção distinguiram-se dois nomes que fariam dela uma das mais amadas revistas infanto-juvenis portuguesas: Dinis Machado e Vasco Granja. Os artigos sobre BD (“Tintin por Tintin”) e o correio dos leitores (“Tu escreves… Tintin responde”) eram pontos fortes a par, claro está, de um conteúdo seleccionado entre o melhor que publicavam o seu congénere belga – Tintin, Blake e Mortimer, Clorifila, Red Dust, Bernard Prince… - e a inovadora “Pilote” – Astérix, Lucky Luke, Valérian, Bluberry…
Estes e muitos outros heróis, cujas aventuras eram publicadas ao ritmo de uma ou duas páginas semanais, terminadas com um desafiador (continua), fizeram vibrar e sonhar uma geração, aquela que hoje tem maior poder de compra, o que explica que este seja, actualmente, um dos títulos mais procurados por coleccionadores e antigos leitores. Por isso, o Tintin português, completo, encadernado com as capas originais, pode valer cerca de dois mil euros, em função do seu estado.
A aposta em autores portugueses foi escassa mas ao Tintin coube o mérito de “descobrir” Fernando Relvas, autor do Espião Acácio ou de L123, que continuaria a brilhar depois nas páginas do Se7e, e de ter revelado obras mais adultas como Corto Maltese (de Hugo Pratt), The Spirit (Will Eisner) ou A Sombra do Corvo (Didier Comés).
Os problemas financeiros que então afectaram a Livraria Internacional, detentora do título, apressaram o seu final, não anunciado, com histórias incompletas, num número cuja capa nem sequer apresentava qualquer dos seus heróis, num triste prenúncio do progressivo desaparecimento das revistas de BD em Portugal.
Nota final: Para quem quiser fazer uma ideia mais completa do que foi este título, aconselho o exaustivo Inventário da Revista Portuguesa Tintin, da autoria de José Vítor Silva, que enumera todas as histórias, séries, autores e artigos nele publicados.